Arqueologia Do Conhecimento
Os dois paradoxos de Alain Wisner. Antropotecnologia e Ergologia
29 Avenue R. Schumann,
13 100, Aix-en-Provence Cedex, France
yves.schwartz@univ-provence.fr
Dois paradoxos parecem atravessar a antropotecnologia de Alain Wisner. O primeiro, a partir dos seus estudos sobre a atividade industriosa, consiste em postular que todos os seres e grupos humanos têm as mesmas potencialidades, afirmando ao mesmo tempo que esta universalidade se manifesta através de histórias e de patrimónios sempre singulares. O segundo paradoxo condu-lo a requerer uma pluridisciplinaridade, mas que respeite as elaborações próprias de cada disciplina, como se elas não tivessem que ter em conta as consequências deste primeiro paradoxo. Num primeiro momento, sugere-se como o retrabalho ergológico da noção de atividade, em grande parte herdada da ergonomia wisneriana, pode permitir dissipar a estranheza do primeiro paradoxo. Do ponto de vista antropológico, podemos compreender o viver humano como uma tendência universal para resingularizar as normas locais de produção da vida.
Num segundo momento, perguntamo-nos através de nodos se configura em história este universal. Avançamos sucessivamente três nodos desta "enhistorização": o corpo, o agir técnico, a cristalização das dimensões coletivas do viver.
Neste ponto, as bases de tratamento do segundo paradoxo parecem enunciadas: se a atividade humana é matriz permanente de renormalizações, ela não cessa de reproduzir configurações sociais relativamente às quais os conceitos e categorias das ciências humanas são sempre parcialmente expostas ao desprevenido. A questão é portanto: como é que este conceito transversal de atividade se refrata nas diversas disciplinas, ou como as reorganiza?
Compreende-se, portanto, que este texto valida plenamente o primeiro paradoxo, mas adota uma atitude crítica relativamente ao segundo.
